Ana Mello - escritora - contos, minicontos, poesia, Tira Bacana, Veredas, quadrinhos, haicai - Porto Alegre, Cachoeirinha, Rio Grande do Sul, RS

Textos

Perfídia

As pessoas me contam, não consigo evitar. Desta vez são casos de traição. Casos de amantes que trabalham no mesmo local. E outros e mais outros.

O assunto rendeu por vários dias, conversa vai e vem, alguém lembrava de mais algum detalhe. Uma sogra que bateu no genro traidor em pleno local de trabalho. Uma mulher que invadiu o escritório do marido e gritou impropérios para todos ouvirem.

Então um amigo machista disse que os problemas acontecem porque os traidores não seguem uma conduta adequada para quem tem amante. Olha só que lindo, o código de proteção do sem vergonha. Ele parte do princípio que é normal ter amante, os homens no caso. E ele nunca, é claro. Embora ele tenha afirmado que um destes princípios do amante de sucesso é negar até a morte.

Entre os demais preceitos ele diz que o traidor não deve dar informações muito particulares para a concubina. Endereço de casa, telefone particular, nomes dos familiares, detalhes da vida particular, nada. Isso se ela não for sua colega de trabalho. O que ele não acha muito interessante, pois expõe demais o salafrário.

Não deve levá-la em viagens, nem tirar fotografias. Deve encontrá-la em horário de expediente, para não causar suspeita na titular. Para ele, esposa é titular.Diz ainda que não tem problema nenhum, a esposa é sempre a preferida. Em primeiro lugar a família! A experiência só valoriza mais a relação, no caso masculino, acrescenta.

Perguntei qual seria a vantagem da amante já que ela não pode aparecer em público com o ser amado, nem compartilhar momentos de lazer com o sujeito. Ele respondeu que é o amado em si. O maravilhoso ser que dispõe de alguns momentos para entregar-se a amante.Só pode estar de brincadeira!

Outro colega, com mais idade, apressou-se a acrescentar que no tempo em que as mulheres não eram tão independentes,era isso mesmo que acontecia. Agora, elas estão muito inteligentes, e vingativas.

Ana Mello
27/08/2015

 

 

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