Ana Mello - escritora - contos, minicontos, poesia, Tira Bacana, Veredas, quadrinhos, haicai - Porto Alegre, Cachoeirinha, Rio Grande do Sul, RS

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Eduardo Galeano por Ana Mello

Gosto de pessoas, já disse muitas vezes, porque pessoas são surpreendentes e têm muito para ensinar, mesmo sem querer, só assim, vivendo. No meu aniversário de 2011 recebi a visita de alguns amigos, entre eles uma vizinha de 89 anos e um vizinho de seis. Gosto muito deles, são especiais. Da família do Francisco ganhei o livro do Eduardo Galeano, As Palavras Andantes com ilustrações de J. Borges. Galeano é uruguaio, muito conhecido pelo livro As Veias Abertas da América Latina, mas ele já escreveu mais de quarenta livros. Alguns amigos já me disseram que o Livro dos Abraços também é lindo, vou ler, com certeza.

Com meu presente recebi um cartão com palavras lindas e uma confissão de amizade do Francisco. Ele escreveu com suas letras de aprendiz ainda em alfabetização, que sou a melhor amiga do mundo. O que é uma honra e uma grande responsabilidade, pois não quero nunca quebrar a confiança em mim depositada. Fiquei pensando porque mereci esta deferência. Apenas brinco de Lego, gosto de ouvir e conversar, nunca me esqueço de um bom lanche nos nossos encontros e ponho-me à disposição para ajudar em qualquer situação. Mas quanto isso significa para um menino tão pequeno e que ainda não viveu nessa vida quase nada. Acho que a resposta está em laços inexplicáveis que nos aproximam de tantas pessoas maravilhosas no decorrer de nossas vidas.Coisas poéticas que nos fazem querer contar para alguém todos os nossos segredos ou simplesmente chamá-lo para segurar nossa mão em um momento de medo ou desespero.

Amigo não condena, apóia. Não falha nunca, de muitas maneiras está presente. Para um amigo a gente confessa tudo sem medo, pede ajuda,chora e sorri com toda a felicidade. Amizade é luz, poesia com música de fundo.

No livro do Galeano encontrei muitas frases e palavras para marcar e reler e tentar reinventar. Na História da justiceira e do arcanjo no palácio das pecadoras, a seguinte frase: “Escrever o que se vive é coisa de pouca ou nenhuma graça. O desafio está em viver o que se escreve, e na sua idade já vai sendo hora de que o senhor fique sabendo”. E não é verdade? Que coragem para viver o que imaginamos e contamos em ficção! Na mesma história eu leio: “Não sei se foi: eu só sei que merecia ter sido”. E mais adiante: “Sinto muito, senhor escritor, mamífero plumífero: o senhor não tem outro remédio a não ser inventar”.

Inúmeras frases eu sublinhei e escolhi para reler. O livro é maravilhoso. Por último mais uma só para instigar o apetite de um leitor que passe por aqui: “As balas do exército haviam acabado com sua mulher e com todos os seus amigos, numa emboscada ao pé do despenhadeiro, e ele andava mutiladodeles, tristejando suas solidões”. Ver-se perdido de um amigo é mesmo uma grande mutilação.

 

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