Ana Mello - escritora - contos, minicontos, poesia, Tira Bacana, Veredas, quadrinhos, haicai - Porto Alegre, Cachoeirinha, Rio Grande do Sul, RS

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Comportamento na era digital

Felipe Prestes

“Estamos ficando cada vez menos hierárquicos”, diz socióloga em Porto Alegre 

“Hoje, um estagiário pode mandar um email para o presidente de uma grande empresa. Um garoto de 17 anos pode ter uma opinião mais relevante que um técnico com 30 anos de experiência”. Assim, a socióloga Dora Faggin, sócia da Vox Pesquisas, exemplificou, na tarde desta quinta-feira (10), como a era digital vem derrubando velhas estruturas, em sua participação no painel As mudanças comportamentais da sociedade frente à convergência digital, do 5º Fórum Internacional de Tecnologia da Informação, organizado pelo Banrisul. “Estamos cada vez menos hierárquicos. A sociedade está organizada muito mais em rede do que em pirâmide”, afirmou.

Faggin resumiu em sua apresentação uma pesquisa realizada pela Vox em parceria com a agência DM9 para analisar as mudanças no comportamento com os meios digitais. Os pesquisadores acompanharam a vida de paulistanos entre 8 e 65 anos por alguns dias. O trabalho concluiu que as pessoas estão cada vez mais colocando velhas instituições em xeque, como a escola e a grande imprensa. Por outro lado, o indivíduo sofre novas pressões, como a ansiedade por resolver tudo o mais rápido possível e a ânsia por estar sempre atualizado. “É inconcebível pensar que você não saiba de uma informação que correu mundo ontem”.

A possibilidade de ter várias fontes de informação faz com que a pessoa não precise replicar o que ouviu ou leu, mas busque vários lados e tenha um ponto de vista mais pessoal. “Um jovem ouvido na pesquisa falou que a mãe dele, quando estudava, tinha acesso a dois ou três livros sobre cada assunto. Hoje, quando ele quer estudar marxismo, por exemplo, encontra em pouco tempo opiniões de extrema-direita, de marxistas, opiniões mais críticas ou menos críticas”.

Segundo Faggin, este acesso fácil a informação reduz a importância da família como formadora dos filhos — “hoje, nem sempre os mais velhos têm razão” – e também coloca em xeque a escola. “Muitos jovens questionam o formato da escola. Como um menino que vive trocando informação vai aguentar um monólogo de um professor?”, explicou. A grande imprensa também perdeu influência. “O poder da imprensa tem se diluído. Temos conseguido ouvir vozes que antes não estavam no mainstream. Isto tem preocupado muito as grandes empresas”, disse.

A socióloga afirmou que os jovens começam a questionar também o trabalho em grandes corporações e optar pelo empreendedorismo. “As pessoas estão querendo se livrar do mundo corporativo e há meios para isto. Um jovem que participou da pesquisa, por exemplo, criou uma loja virtual. Ele dorme até o meio-dia e a loja está lá, funcionando”.

Dora Faggin também vê o consumidor com cada vez mais controle das relações com as empresas. “Não raro ele tem mais informação do que o vendedor. O consumidor também precisa ser respeitado, porque ele se tornou um porta-voz dos produtos em ambientes em que ele é protagonista”.

A socióloga falou ainda sobre aquilo que a pesquisa definiu como “eu expandido” na era digital. “Cada pessoa passou a poder ser o que ela é, o que ela quer ser e o que ela finge ser”, explicou. Além disto, hoje ter muito mais referências, muito mais fontes de informação também “expande” a personalidade do indivíduo. “Tudo aquilo que vivia na nossa fantasia, ou nem isto, hoje é possível”.

Faggin afirmou ainda que as fronteiras entre público e privado estão cada vez mais indefinidas. “Antes, o que era feito em casa era privado; na rua, era público. Hoje, essa fronteira caba a cada um. Se tornou um critério pessoal. Você pode se expor mais ou menos”. Além disto, é cada vez menor a distinção entre ‘mundo real’ e ‘mundo virtual’ que era feita quando a internet estava engatinhando. E o futuro indica que não haverá mais distinção entre o indivíduo e os meios digitais. “Hoje, ainda há a ferramenta, mesmo que pequena como um telefone celular. Isto será incorporado ao corpo humano”, disse a socióloga. 

 

Fonte: http://sul21.com.br/jornal/

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